NÃO coloque um sorriso nessa cara!

Como há vários aspectos passiveis de análise nesse filme, farei mais de uma publicação. Nessa farei uma análise da primeira cena do filme.

Logo na 1° cena, podemos ver Arthur isolado, se olhando no espelho, forçando um sorriso, mas no fundo estava triste ao ponto de escorrer uma lágrima dos seus olhos, quando a câmera o encara de frente. Ai já podemos observar o espetáculo que é o cinema, pois sem nenhuma menção, esse ato já promove uma grande reflexão. Já anuncia o primeiro contraste do filme: Um palhaço, alguém que deveria gerar alegria, triste.

A DITADURA DA FELICIDADE

 Hoje em dia vivemos numa ditadura, em que a tristeza é censurada pela enorme pressão que a sociedade faz para sermos felizes o tempo todo. Seja no trabalho, nos relacionamentos ou até sozinho, nos forçamos para não demonstrar nenhuma tristeza, principalmente nas redes sociais.

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 Isso tudo não faz as pessoas mais felizes, e sim, nos faz viver em um mundo de máscaras e maquiagens, um mundo que de tanta felicidade arquitetada, pressionada e “produtificada”, se tornou menos empático e mais cinza. Essa é só uma das críticas sociais que o filme promove. A partir de então, durante todo o longa-metragem, veremos o personagem usando a “máscara” do sorriso, mesmo na profunda infelicidade, mesmo levando bronca do chefe… Há de se pensar também, até que ponto a própria doença de Arthur não foi uma forma de enfatizar essas questões, e o quanto tentar enganar a nós mesmo, não parece uma piada, digna de gargalhada (Falarei sobre a existência ou não dessa doença em outra publicação).

 Lembro-me do quão impactante foi o suicídio de Robin Williams, pensamos: Como assim? Uma pessoa que em suas atuações mostrava uma paz, alegria, felicidade e leveza pode chegar a tal ponto? Ai que se mostra a Ditadura da Felicidade, como se ele, pelos seus filmes, fosse proibido de ficar triste. Isso é muito comum, e por conta dessa pressão a tristeza carrega também um significado de fracasso, como se fosse um fracasso ficarmos tristes.

 Figuras públicas/pop, líderes religiosos, profissionais (inclusive psicólogos) e até o sexo das pessoas (mulher “sexo frágil”, e o famoso “homem não chora”) são afetados por essa censura social. Isso tudo está introduzido em nós, a tal ponto que mesmo sem perceber replicamos isso. Sempre tentando distrair a dor, disfarça-la ou reprimi-la. Basta ver a maioria dos pais conversando com os filhos quando eles se machucam. O braço da criança cortado, sangrando e vem as frases: “Não foi nada”, “Engole o choro” ou “Toma um docinho”.

 Sim, a dor (mental ou física) incomoda, tanto a quem a sente, quanto a quem está próximo, mas a distrair e/ou a reprimir não traz resultados benéficos. Se uma pessoa nunca entra em contato com seus sofrimentos, no momento que ela não conseguir escapar de uma dor, ela não a suportará. Não estou dizendo para abandonar a pessoa em sofrimento, mas dar a ela algo real, uma companhia, acolhimento e empatia. Assim expressaremos de um modo mais assertivo as mesmas mensagens: “Não foi nada”, “Engole o choro” e “Toma um docinho”, se transformará em “Doí, mas vai passar”, “Se quiser chorar, chore” e “Agora é um momento triste, mesmo, mas haverá momentos de prazer”.

“Há momentos que o mais saudável a se fazer é cair em prantos”

Vinícius M. Luz

Proxima publicação falarei sobre a trajetoria do protagonista até ele se tornar o Coringa

O que achou dessa publicação? Comente sua opinião, fale o que achou do filme. Adoraria ler!

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