Breaking bad é para mim uma das melhores séries se não a melhor que já vi, tanto é que eu acabei de a assistir pela segunda vez (sou desses) kkk
Se você não conhece, ou não se lembra muito vou resumir a trama.
O personagem principal é um professor de química chamado Walter white. Ele é muito inteligente e um excelente professor, mas isso não o faz ter boas condições de vida.
Além de dar aula na escola, ele também trabalha em um lava rápido para ajudar no sustento de sua esposa grávida e seu filho.
Walter parece ser uma pessoa muito boa, porém amargurada, pois ele abriu uma empresa com um amigo, depois desistiu disso, e logo após a empresa fez um grande sucesso, fazendo o amigo dele milionário.
Após o personagem receber a notícia de um cancêr grava, preocupado com a família, ele decide começar a fazer metanfetamina, se tornando assim um produtor da droga.
De Walter a Heisenberg
Depois da notícia de seu cancêr terminal, o personagem encara sua existência e percebe que nunca viveu de fato, estava sempre escondido em si, pelos seus medos.
E isso o fez ter pavor de sua vida terminar assim, ele sendo alguém medroso, não reconhecido e que não realizou inúmeras vontades, seja por medo, ou falta de oportunidades ou sorte.

Durante a série o inseguro e passivo Walter, se torna o destemido Heisenberg, um alter ego para seu eu criminoso, agressivo, ativo e gênio do crime.
Essa transformação é um processo em que ele subverteu seus valores, antes seus desejos eram baseados ou moldados pelos valores que no fundo não era o dele, mas sim o que esperavam dele.
Ao “se tornar” Heisenberg, Walter, coloca seu desejo como valor principal, o levando a muitas conquistas, mas ao mesmo tempo, muitas consequências.
Isso me lembra a vontade de poder (ou vontade de potência), um conceito do filósofo Nietzsche.
Segundo o autor, em todos nós há esse mecanismo de vontade de poder, essa vontade está em todos os nossos desejos, é uma vontade de expansão, de colocar mais de nós no mundo.
E não estamos a todo momento tentando isso? Espalhando nossas opiniões, querendo que os outros gostem do que gostamos, querendo ser reconhecido, vistos, lembrados…
No fundo isso acaba moldando muitos dos nossos comportamentos, no caso de Walter, quando passou a ter seu império de drogas, ele foi reconhecido, lembrado, ele foi realmente visto, e fazia o que ele bem queria.
Breaking Bad é uma série cativante, não por apenas ter uma história muito boa, uma trama impecávelmente amarrada, que te faz ficar preso, mas por falar sobre nós.
O selvagem em nós (pulsões de Freud)
A série é cativante principalmente por tocar nos nossos instintos que tentamos controlar o tempo todo… Somos um emaranhado de vontades, entre elas a vontade de poder…
Vai, pode admitir que já desejou algo proibido, e então as restrinções sociais o fez conscientemente ou inconscientemente reprimir esses desejos.
E ao mesmo tempo que somos boas pessoas, também nos tornamos pessoas frustradas de tanto reprimir vontades para agir certo, agradar alguém ou até mesmo, seguir a lei.
Por outro lado se ignoramos completamente as restrinções viramos alguem selvagem, que para satisfazer os proprios desejos, trai, rouba e mata.
A eterna busca em nossa vida, é sobre o equilibrio entre esses dois lados da mesma moeda, Pulsão de vida, e a pulsão de morte, de jeitos diferentes nos levam ao mesmo objetivo, nos sentirmos vivos.
Walter sempre justificou suas ações dizendo que fez para o bem da família, e por muito tempo ele acredita nisso, mas era apenas uma racionalização, ou seja, uma mascara para tornar seu desejo e ações como justificáveis e aceitas.
Walter segue seu instindo de pulsão de morte, se sentindo vivo em situações perigosas… Afinal não fazemos isso? Saltar de paraquedas, dirigir rápido, assistir UFC, filmes violentos, tudo isso para satisfazer essas forçar agressivas em nós…
E então, Walter White, se torna viciado em poder, ele não quer dinheiro, não quer uma vida luxuosa, ele quer se sentir poderoso, ter seu império, seu nome, fazer o que gosta custe o que custar.
Obviamente isso gera terríveis consequências em sua vida e na de sua família.
A lição
Há muitos paradoxos existências na série, afinal na psicologia, principalmente na psicanálise entendemos que coisas opostas muitas vezes se complementam…
A destruição pode gerar vida, e coisas que fazemos para nos mantermos sobrevivendo, podem nos tirar a sensação de vida…
O que é a vida, se não uma jornada de auto descoberta e transformação, assim como na química que o própio Walter define como o estudo da mudança.
A série assim como a vida fala sobre o ato de mudar, estamos a todo momento nos aproximando ou distanciando de nós mesmo.
O poder não nos transforma, mas revela o que está no nosso intímo, e estamos o tempo todo fugindo do nosso lado obscuro.
Mas como o psicanalista Carl Jung escreveu:

Ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas sim por se tornar consciente de sua escuridão.
A série mostra de um jeito trágico a importancia do autoconhecimento, afinal Walter precisou passar por tudo para no fim da série se tornar um misto entre Walter e Heisenberg.
Físicamente é possivel notar, o personagem do final possui caracteristicas das duas personas do sr. White, o cabelo de Walter, e a barba de Heisenberg.
Muito mais maduro de si, consciliando suas pulsões, vontades, decidi não necessáriamente consertar seus erros, pois não foram erros de fato, mas sim parte de sua jornada de ser quem se é…
Finalmente aceita a si mesmo, e tem um ato de redenção.
Eu fiz por mim. Eu gostei de fazer. E eu era bom naquilo. E eu me sentia…vivo.
Walter White
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