Muitos filósofos tinham uma meta: Fazer guerra contra os afetos, ou seja, contra o que sentimos, tentando reprimir, controlar e maldizer.
Espinosa quis fazer uma ciência dos afetos, das emoções, para pararmos de julgar e condenar os sentimentos. Para ele condenamos aquilo que não compreendemos, portando a compreensão é o começo da aprovação.
Até hoje não sei o motivo de não ter aulas sobre a sua visão das emoções na faculdade de psicologia
Vamos lá, vamos entender sua teoria
Não rir, nem lamentar-se, nem odiar, mas compreender
Baruch Espinosa
Benedito de Espinosa (Assinou Baruch em vários trabalhos, pela condição de judeu nascido e criado em Amsterdã (1632 – 1677) é esse bonitinho da da imagem aí.
Mente e corpo
Antes dele havia praticamente uma única ideia sobre mente (ou alma para a filosofia) e corpo. A mente é o piloto do corpo, devendo o controlar e/ou o guiar.
Para o Bento, mente e corpo estão no mesmo patamar, são partes de um mesmo ser, em que se expressa de meios diferentes.
Afinal todas as informações que a mente recebe vêm dos estímulos corporais, ou seja, tudo que sabemos é o que acontece com o corpo. Então não deveríamos jogar um contra o outro, mente vs corpo, e sim, entendermos que um precisa do outro, um é o outro.
Por exemplo, como você sabe que gosta de chocolate? Porque o provou e gostou, certo? Seria impossível você gostar de chocolate e saber disso, se não tivesse um corpo em contato com o chocolate, para sentir algo, e a mente então colhe esse encontro entre sua boca, e o chocolate, vê o afeto que isso causou e então tem ideias e pensamentos sobre isso.
O caminho para a razão para Espinosa é impossível sem ter experiências corporais.
Veja só
A conexão de mente e corpo fica clara por meio dos afetos. Quando acontece algo e isso nos afeta como tristeza por exemplo. Quanto mais tristes estamos, pior nossa capacidade de agir e de pensar, não é mesmo?
A mente pensa o tanto quanto o corpo faz. Um não é melhor que o outro.
Mente e corpo tem um único proposito para esse filósofo: Alcançar a liberdade, a felicidade e a virtude.
Quanto mais se conhece, mais chances de sentir mais.
Beleza, Bentinho, algo acontece, e diante disso algo acontece dentro de mim e produz um afeto, e então penso algo. Mas…
Da onde surge o afeto, o que são exatamente?
Por afeto compreendo as afecções do corpo, pelas quais sua potência de agir é aumentada ou diminuída”
Baruch Espinosa
As afecções são o corpo sendo afetado pelo mundo. O encontroentre o chocolate, a boca, e a sensação. Pode pensar em qualquer situação, pois tudo produz um afeto (emoção) em nós.
Para entender isso é preciso falar de uma palavrinha em latim Conatus, significa esforço. Espinosa acreditava que tudo que existe, possui uma essência, Conatus, um desejo, uma potência de criar condições para preservar nosso ser.
Conatus é desejo, e a variação dele para mais ou para menos tem dois nomes:
Aquilo que produz mais conatus em você, ou seja, quando seu desejo, sua potência aumenta, isso chama-se alegriae quando algo interrompe, atrapalha seu desejo, chama-se tristeza.
Estes dois afetos são os geradores de todos os outros que sentimos: amor, ódio, inveja, contentamento, etc.
Porem diferente da psicologia atual, para esse autor o que sentimos não causa nosso comportamento, mas sim são a própria consequência de nosso comportamento.
Não deixa de estar certo também não é mesmo? Afinal se eu quero sair, mas não saio, a consequência disso é tristeza, pois enfraquece, atrapalha, meu desejo de sair. Difícil, mas em 2020 tente ficar em casa em! e criar novas formas de alegria, ou seja, novas formas de aumentar sua potência de pensar e agir, novas formas de elevar seu conatus.
Conclusão:
Não desejamos algo por ser bom, mas algo é bom poque desejamos. Para Espinosa o ser humano não é algo vazio a ser preenchido ele é a vida que quer a si mesmo, é a procura por potência para ampliar a capacidade de existir e se alegrar e construir seu mundo.
O que sentimos é nosso, exclusivo, é uma forma de nos conhecermos, apenas sentimos, não podemos escolher o que sentimos, mas o que fazer com isso.
Corpo e mente são mecanismos de um mesmo corpo, com uma mesma finalidade, reconhecer e criar formas de alegria.
