Aqui falarei sobre a segunda grande crítica social do filme Coringa (2019). Descubra se você é louco, entenda a loucura e descubra o que foi o Holocausto Brasileiro.
O preconceito com o diferente, doente mental e louco
O “louco” nem sempre foi considerado louco, você sabia que o conceito de loucura foi sendo construído ao longo do tempo? Para muitos o Coringa é um louco, alguém insano, para alguns ele é um sábio, um ícone digno de exaltação.
Impossível falar dessa temática sem citar Foucault. Segundo ele a loucura é algo definido pela cultura e seus contextos e momentos históricos, já que a insensatez foi colocada como algo fora dos padrões normais, ou seja, algo que é diferente. A questão é que o normal de hoje, não é o normal de 50 anos atrás, do mesmo modo que o louco de hoje, não é o mesmo de outras épocas. Quantos comportamentos ou pensamentos da sua avó você não acha estranho?
Bem, antigamente a loucura não era considerada algo negativo, era considerada um sinal de sabedoria, aquele que consegue pensar diferente, fora dos padrões. Mais afrente na nossa história seguiu o pensamento “de médico e de louco, todo mundo tem um pouco”, normalizando (não completamente) a loucura.
Em torno do século 17, isso se inverteu, nesse momento as pessoas se dividiram entre aqueles que possuem a razão, a verdade e os loucos, e então pessoas que não seguiam certos padrões da sociedade, foram consideradas insanas, imorais, praticamente criminosas como os alcoólatras e homossexuais (naquela época).
Com essa definição de loucura que se inicia os maus tratos, prisões, internações em massa e desleixo com as pessoas diferentes. Muitas hoje em dia seriam consideradas normais, poderia ser eu ou você! Há histórias de adolescentes que por desobedecerem muito aos pais foram internadas e passaram o resto de suas vidas no que foi chamado de holocausto Brasileiro.
Só depois de tudo isso e de mais mudanças nos padrões sociais que a loucura foi considerada como doença. Desta vez quem define os loucos, não é os reis, igreja ou sociedade e sim a classe médica, definindo o que é normal e patológico, e estudando melhores maneira de trazer de voltas os considerados doentes mentais, para uma vida na sociedade com dignidade.
Com toda essa história doentes mentais sofrem preconceito e discriminação, por vezes são vistos não como humanos, com sonhos, histórias e sentimentos, mas apenas como alguém que por ser diferente merece maus tratos, ser alvo de piada. Durante todo o filme Arthur sofre por ser diferente, é agredido e até usado no programa do Murray para atrair mais audiência e humilhando mais o protagonista. Quantos programas ou comerciais em que se usou alguém para gerar divertimento com a sua deficiência, doença mental ou diferença?
Quer saber mais sobre isso? veja esses vídeos e assista o filme Nise
