Já ouviu falar de autenticidade? Você se considera autêntico? O que é? E como se tornar mais autêntico?
Concordar com os outros só para agradar, fingir ter características para ser mais aceito, ou até tentar se enganar quanto a si mesmo são comportamentos típicos de inautenticidade, em que representamos um papel que não nos cabe para agradar outros, revelando que estamos mais preocupados com o que pensam sobre nós do que com o nosso bem estar. Na inautenticidade, negamos o que sentimos, pensamos, desejamos e até nossa personalidade, causando frustração, ressentimento e sensação de inferioridade.
O que é autenticidade?
Basicamente, autenticidade é “ser o que se é“, como mencionou Soren Kierkegaard. Parece algo bobo de se dizer, mas na realidade é algo um tanto complexo de praticar. Quando alguém nos pergunta quem somos, normalmente respondemos com nosso nome e em seguida profissão, mas sabemos que não somos só isso.
Ser autentico não é apenas entender quem você é, quais suas capacidades, características, é também compreender que ser quem se é verdadeiramente, é um processo contínuo, já que estamos nos transformando o tempo todo. Autenticidade nos leva a assumir nós mesmos, o que pensamos, sentimos e queremos.
Entretanto, autenticidade não é ligar o F@$#-se desconsiderando assim os outros. Não é fazer sempre o que quer e falar o que tem vontade sem se importar com os demais, até porque pessoas autênticas conseguem se relacionar melhor com os outros.
Mas não é tão simples
Nem sempre nos conhecemos realmente, além de questões inconscientes, das quais sem auxilio de um psicólogo ou psicanalista, nunca saberemos. Nós colocamos algumas máscaras para nos mostrar aos outros e também para olharmos no espelho. A gente se engana, mas nem sempre sabemos disso. Já ouviu falar de self né? Quem nunca tirou uma self? E o self para psicologia, conhece? O termo self é atribuído para um autorretrato, já na psicologia há três conceitos o self, self real e o ideal (Carl Rogers).

Self
É o modo como a pessoa percebe si própria, essa visão se baseia nas experiencias passadas, vivências do presente, e expectativas quanto ao futuro. Nada mais é que sua personalidade, seu jeito de pensar, agir e sentir.
Self ideal e Self real
Quando crianças, brincávamos de ser pessoas diferentes, não é mesmo? Quando adultos, ainda tentamos e muitas vezes acreditamos ser pessoas que não somos. O self ideal, é o que idealizamos em nós mesmos, de modo que nos iludimos, pois não temos as características que pensamos ter. Isso causa sofrimento, porque constantemente nos frustramos quando redescobrimos que não somos o que idealizamos ser. Quanto maior as discrepâncias entre o nosso ideal imaginário com o self real (o que realmente somos), maior é a insatisfação, podendo nos deixar neuróticos, por isso que o self ideal é uma barreira para o desenvolvimento pessoal.
*Não é que não devemos querer melhorar ou mudar, mas é preciso pensar até que ponto o que queremos de nós realmente é nosso, realmente queremos e também é importante para a saúde mental, que possamos ter empatia conosco compreendendo que nem sempre seremos como queremos ser e aceitar o que não somos.
Como é que nos tornamos inautênticos
Ao longo de nossa vida pertencemos a vários grupos em que comportamentos são aprovados ou desaprovados e muitas vezes até punidos sem dar alguma explicação. Quando crianças, por exemplo: Quem não se lembra de quando a mãe disse para não pedir mais comida na casa da tia, mesmo a gente estando com vontade? Ou o pai que fala para não chorarmos? Ou então a professora que não aprovou nosso modo diferente de pensar? Claro que ninguém conscientemente quer te deixar inautêntico, mas tais acontecimentos acabam criando o pensamento/sentimento de que não devemos dar ouvidos ao que queremos, pensamos ou sentimos. A boa notícia é de que tudo isso é aprendido ao longo da vida, portanto se foi aprendido podemos desaprender e elaborar melhor.
*A inautenticidade não necessariamente é “ser” falso, o que acontece muitas vezes é que ainda não temos o autoconhecimento necessário para distinguir maneiras autenticas de pensar e se comportar.
Como se tornar autêntico?
- Autoconhecimentoé a chave para autenticidade, mas como vimos não é tão simples. No meu artigo POR QUE NÓS SOMOS DE UM MODO E NÃO DE OUTRO explico mais sobre a bela singularidade humana. A melhor maneira de se conhecer é tentar ser mais introspectivo e fazer psicoterapia.
- Aceitar-se como é, reconhecendo que não há ninguém perfeito e que sempre poderá mudar.
- É preciso ser congruente, ou seja, alinhar seu pensar, sentir e agir, muitas vezes pensamos algo, sentimos e fazemos o oposto, ou então não expressamos verdadeiramente o que sentimos e pensamos.
Curioso paradoxo: Quando me aceito como sou, posso então mudar.
Carl Rogers
Ah essa última frase …
Havia uma sacola com uma mascara
E uma garota a encontrou
De início teve medo
Não sabia o que fazer
E nem como compor
Mas colocou sobre o seu rosto
E lhe caiu tão bem
Ficou
Acometida pela euforia de uma nova
face se lançou
Na rua e o mundo lhe retribuiu com
flores
Ninguém duvidou
Que a mascara cobria um rosto que
antes era só
Temor
E nada parecia lhe fazer parar de
acreditar
Que o novo rosto, e forte, na verdade
sempre fora o seu
E mesmo que alertassem
Ela respondia só
Sou eu
Mas teve um dia que ao descer à rua
O mundo desabou
Outros tantos lindos mascarados
transitavam sem pudor
Ajoelhou com raiva
Olhou pros céus
E antes de gritar
Chorou
E ao se levantar
Olhou pros mascarados
Condenou
São todos falsos
Tantas cópias
De um rosto que antes era meu
Ninguém lhe dava ouvidos
Ela então cansada se desmascarou
E sorriu
E dizem que sorrindo ela entendeu
Que a vida só se dá
Pra quem se deu
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